Mais do que uma fuga elevada e um grande elogio à natureza, o conceito ecológico que está por trás das Pedras Salgadas Spa & Nature é um privilégio no tempo em que vivemos. Com todas as concessões que temos feito, nos últimos tempos, reconheço a importância das escolhas. No caso das Pedras Salgadas não há duvidas. Num mês em que o Natal nos torna vulneráveis e numa passagem de ano, que nos incomoda deliciosamente com todos os sonhos que desejamos para o futuro, as pedras Salgadas são sem dúvida uma morada importante.

Mais do que um lugar que nos ajuda a olhar para dentro, e um lugar em que conseguimos alcançar a certeza de que somos nós que pertencemos à natureza, e não o contrário, as ‘Eco Houses’ das Pedras Salgadas tiveram como principal preocupação preservar o perfil natural do terreno e de toda a flora envolvente. A nobreza da arquitetura das casas ecológicas, da autoria do Arquiteto Luís Rebelo de Andrade que trabalhou com Diogo Aguiar foram pensadas ao pormenor para garantir um conforto absoluto. Confirmo a missão muito bem conseguida, ao ponto de ter tido dificuldade emocional em abandonar a casa, no dia em que parti. A simplicidade das formas e dos espaços,  mesmo dentro de casa fazem-nos continuar a gozar da natureza que pulsa lá fora.

Cada ‘eco house’ constituída por duas camas, uma sala, uma kitchenette, uma casa de banho, um hall e um deck exterior constroem os interiores fragmentados, encimadas por coberturas de duas águas facetadas – sempre nos três volumes que compõem cada uma das casas – e que sabiamente criam jogos de luz e de sombra, enfatizando as texturas e os tons da floresta. As casas respeitam a orientação solar, a exposição à luz, as vistas privilegiadas e a privacidade e segurança dos habitantes. Delicioso adormecer com as persianas semi-abertas que me fizeram abraçar, ainda na muito confortável cama, as cores bonitas de outono do parque logo pela manhã.

Construídas pela Modular System, as casas ecológicas foram revestidas em ardósia e madeira, materiais escolhidos por Rebelo de Andrade, uma matéria-prima autóctone, e que integram na perfeição o parque ao ponto de perder os limites entre as paredes da casa e o cenário edílico. Ainda nas palavras do arquiteto, “As ‘eco houses’ aparecem para presentear o parque com um modo habitar. Num ambiente em total contato com a natureza, integrando-se cada uma delas neste bosque encantado, em que cada uma se torna única, não só pela arquitetura, como também pelas suas formas geométricas modulares, que se articulam entre si.”

Os módulos pré-fabricados em oficina e montados no parque, além de respeitarem a flora, gozam ainda de um extraordinário isolamento térmico – e que quentinha que esteve sempre a casa – adequado às condições climatéricas de Bornes de Aguiar, sempre muito frio no inverno e muito quente no verão. No elogio à natureza, as casas são apoiadas em estacas para evitar os declives do terreno e ferimento das raízes das árvores existentes e tal como os braços de uma árvore, a equipa por trás do projeto, liderada pela grande senhora da hotelaria Adélia Carvalho, escolheu os tecidos como quem aprecia texturas na natureza.

A iluminação foi toda pensada ecologicamente e a máquina de lava-loiça é eficiente nos consumos de água e energia. O respeito à grande Mãe natureza vai ao ponto do balde do lixo, escondido num dos armários da cozinha, ter separação de resíduos sólidos, haver separação das águas residuais (enter negras e sabonetadas). Todos os amenities são da recém lançada linha Green Park da Molton Brown, uma linha ecológica que adorei e a água da casa é aquecida por painéis solares.

Uma das visões elevadas, que trago ainda, colada à pele da memória é a imensidão do céu, que em contraste com os enormes cedros, que abraçavam o deck da minha casa (Casa do Abetos), e que me confirmaram que habitamos num mundo muito maior, dos que os nossos olhos veem.

O parque termal de Pedras Salgadas onde as ‘eco houses’ se encontram é um poema vivo, que nascido na segunda metade do séc. XIX e ao longo de 20 hectares, se situa a 580 metros de altitude. O Balneário Termal, o antigo Casino (hoje em recuperação e onde vão ser possível fazer acontecer eventos, que se prometem ser mágicos) tomam conta das várias fontes termais: a Fonte D. Fernando, a Fonte D. Maria Pia (situada no interior de uma pequena gruta), a Fonte Penedo e Grande Alcalina, a bela Fonte Pedras Salgadas e a Fonte Preciosa.

Todas estas fontes, que brotam os ingredientes da famosa água do parque das Pedras Salgadas, têm o seu lugar privilegiado entre árvores e caminhos a descobrir. As linhas românticas do notável horticultor, jardineiro e paisagista portuense das décadas finais do séc. XIX e primeira metade do séc. XX, ainda hoje nos consegue resgatar a descobrir pequenos recantos e grutas, com a água que corre nas fontes ou com as antigas casas de pássaros. Ainda a beleza dos jardins, o do casino e um roseiral e  o grande lago do parque e os animais que podemos encontrar: esquilos vermelhos, cegonhas brancas, a garça real, o pica-pau malhado e se tiver sorte a garça branca pequena.

Para voar não apenas a alma mas também o corpo, o emblemático edifício do antigo Balneário Termal que acolhe o Spa Termal, recuperado pelo Arquitecto Siza Vieira, devolveu ao espaço o carisma dos anos vinte. São linhas depuradas que aproveitam a luz natural pelas janelas de pé alto enorme do edifício Art Nouveau. O chão da entrada é magnífico e são um lindo cartão de visita.

O poder terapêutico da água natural gaseificada de Pedras Salgadas, aliados à demarcação de zonas diferenciadas no spa renovam o espírito do antigo turismo termal. A area húmida, destinada aos tratamentos com água mineral – benéfica para problemas digestivos, respiratórios e musculares, e outra seca, para tratamentos de beleza e bem-estar alia-se a 14 salas de tratamentos (que incluem cinco hidroterapias e duas salas duplas). A piscina aquecida interior tem um ciruito de marcha  e há sauna, hammam (banho turco), hidromassagem, duche de agulheta, duche vichy e duas salas de relaxamento. Eu entreguei-me nas mãos da terapeuta Júlia e a experiência transporta-me à próxima visita.

As Pedras Salgadas é uma morada elevada para renovar não apenas o corpo, mas principalmente a alma, que em experiência com as ‘eco houses’ é uma lufada de ar fresco na turbulência de mudança que vivemos. Numa era em que todos – os que ouvem e os que não querem ouvir, o que o universo nos tenta dizer em forma de ‘crise’ – somos chamados ao alto. E aqui, rodeada de tanta beleza e simplicidade, e com o coração nas mãos, não há sequer espaço para ter dúvidas. Aqui a alma é maior.

Pedras Salgadas Spa & Nature Park
Parque de Pedras Salgadas
Bornes de Aguiar
Tel: +351 259 437 140
www.pedrassalgadaspark.com
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