O título persegue os amantes de Alexandre O’Neill. Mas a viagem “palavras que nos beijam” é um encontro com uma das cidades escandinavas.

Os voos da Tap descolam para Copenhaga bem cedo, um destino que se faz bem como viagem de fim-de-semana: o tempo é para aproveitar ao minuto. A serenidade da cidade nada tem a ver com uma viagem de consumo rápido, onde a sensação de não vermos tudo está iminente nos ponteiros do relógio, e isso sente-se desde o primeiro minuto em que se sai do avião.

Na estação que leva os viajantes do aeroporto ao centro da cidade, apreciei o cenário: com a cidade aos pés e com tudo ainda por descobrir, sento-me num dos bancos da estação a desfrutar do aroma a canela e maçã que inundava a grande ala dos encontros. Os que partem, os que chegam e os que, como eu, gostam de absorver o impacto que é habitar outra cultura, tão suave e equilibrada como Copenhaga.

Como o Financial Times recentemente escreveu, é como se “os naturais de Copenhaga tivessem uma articulação interna muito calma, e os seus habitantes parecem movimentos de um livro de tendências internacionais”.

Quando li, identifiquei-me. Ainda mais quando optei pela simplicidade descontraído do Ibsens Hotel, num dos melhores bairros de Copenhaga. Com uma atmosfera muito relaxada – tão relaxada que os clientes estão à lareira e navegam pelo hotel como se estivessem em casa –, este hotel está num bairro onde os seus habitantes se cruzam às esquinas com dois dedos de conversa, ou desfrutam dos poucos raios de sol com um copo de vinho na mão, enquanto outros transportam os seus filhos de bicicleta.

Nansensgade é uma rua de lojas muito particulares e a alma do hotel abraça essas próprias vivências, escolhendo para os seus interiores objetos desses irmãos do bairro. Por isso, este hotel é uma verdadeira experiência dinamarquesa: algumas das pequenas oficinas e lojas do bairro contribuíram com peças, como é o caso da encantadora Krestine Kjaerholm no lobby, as mesas da Wencke Barfoed, os porta chaves da Taske-Piet , os livros do Jes, o rádio da Würtz onde se tocam os discos antigos da casa. A mistura do velho com o novo retrata bem a tolerância da cidade.

Mas o nome elevado ligado ao Ibsens Hotel é o Artmoney, um projeto criado pelo artista dinamarquês Lars Krammer. Numa das paredes da sala, respira uma galeria de quadros 18 x 12 cm que poderão ser comprados entre os valores de €27 e €39. Se deixar a sua arte num desses quadros, essa será a sua moeda de troca. Cada quadro conta uma história de um viajante que por ali passou.

Os pequenos cafés e restaurantes, as galerias, as livrarias de segunda mão e todas as outras lojas que vamos encontrando pelas ruas, que circundam o hotel são exemplo vivo do empreendedorismo local. Também uma grande abertura a quem chega de fora, com espaço para as diferenças culturais, uma tolerância, e isso sente-se nos quartos que transmitem a ideia de terem sido pensados para agradar a qualquer tipo de viajante.

Inspirados também e repletos de objetos das lojas (cujas moradas online deixo em baixo), as suas linhas descontraídas casam bem com os contrastes suaves de todas as moradas que descobri em Copenhaga e que partilharei amanhã, por estas linhas, assim como quem descobre ‘o reino’ da Dinamarca.

(continua)

crónica publicada a 11 de dezembro de 2012  na Vogue online

Voo para Dinamarca com a TAP
www.flytap.com

Ibsens Hotel
Vendersgade 23, Copenhaga
T: +45 33 13 19 13
www.ibsenshotel.dk

Artmoney
www.artmoney.org

Pietbreinholm
www.pietbreinholm.dk

Krestine Kjarholm
www.kkjaerholm.dk

Pia Hutters
www.piahutters.dk

Wes Shop
www.weshop.dk

No. 40
www.no40.dk

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