Visitar Copenhaga não é um desafio ao tempo, pois como cidade que de grande não tem nada, é um privilégio a quem não gosta de preparar viagens.

Copenhaga é uma cidade pequena por isso com um mapa e algumas dicas encontrará facilmente os sítios imperdíveis da cidade. A nível cultural um dos lugares obrigatórios é a Biblioteca Real da Dinamarca que fundada como biblioteca universitária, em 1482, e como biblioteca nacional em 1648 é responsável pelo património cultural nacional dos livros, publicações periódicas, jornais, folhetos, manuscritos, mapas, iconografia, fotografia e música em suporte papel e digital. Quando a visitar vai perceber que muitos são os dinamarqueses que escolhem os seus corredores e salas de arquivos para trabalhar ou estudar.

Além da bonita vista e do bar frequentado durante todo o dia – tem um delicioso chocolate quente e uns bolos de cair para a banda – guarda ainda um nobre espaço para exposições. Eu tive o privilégio de apanhar uma exposição de Edward Steichen, um dos nomes mais influentes da história da fotografia do século XX. Fotógrafo mas também artista, numa época rara ao seu sucesso de setenta anos que imortalizariam a fotografia como forma de arte. Pioneiro no pictorialismo, o seu percurso profissional inovador define muitos dos estilos comerciais que chegam até hoje aos nossos dias, como é o caso das fotografias de moda, retratos iconográficos das divas da época e fotografia publicitária. Depois de ter sido chefe de fotografia da Vogue e da Vanity Fair, é difícil encontrar uma celebridade, que não tenha desejado ser retratado por Steichen.

Ainda no mesmo piso, ‘Inacreditável’, uma cénica exposição que questiona a nossa confiança na ciência. Na maioria dos casos, a resposta é, felizmente, sim, mas a exposição mostra o mundo da fraude científica e falsificações convidando os visitantes a investigar e resolver 19 casos notáveis, onde os peritos foram autores de fraude.

Outra exposição que apanhei foi a dos ‘Tesouros da Biblioteca’. Nas mãos artista russo Andrey Bartenev é possível ver a Bíblia de Gutenberg, as notas do filósofo Soren Kierkegaard, os diários de conto de fadas autor Hans Christian Andersen e outros inestimáveis tesouros culturais misturados numa selva de Pop Art. No mínimo genial ao estímulo dos sentidos que permite ver mais de 1400 anos de cultura.

Porque a noite chega cedo, a hora de jantar acontece pelas 19h. E na deambulação pela cidade noturna e sem nenhuma mesa marcada, descobri a pizzaria Gorm’s. Linda e com uma atmosfera não apenas romântica, mas elogiante ao património dos edifícios mais antigos e de linhas muito simples, não deixa de ter um encanto delicioso. Rapidamente percebi que este era um dos sítios onde os locais vão muitas vezes, polvilhados de viajantes perdidos pelas ruas como era o meu caso. A sua história respira também pelas páginas de um livro de receitas da casa. Carpaccio para começar, e uma pizza divinal, de massa estaladiça e textura invulgar, mas o melhor de tudo é mesmo o ambiente, que na companhia de seres humanos e um bom vinho, fazem desta morada umas das que mais gostei de ter sentido a pulsação de Copenhaga.

(continua)

esta crónica foi publicada a 11 de dezembro de 2012 na Vogue Online

Voo para Dinamarca
www.flytap.com 

Ibsens Hotel
Vendersgade 23, Copenhaga
T: +45 33 13 19 13
www.ibsenshotel.dk

Det Kongelige Bibliotek
www.kb.dk

Gorm’s
www.gormspizza.dk

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