Este fim de semana acontece a XI mostra de Documentários sobre os Direitos Humanos que em colaboração com a Amnistia Internacional Portugal – Grupo 19, e o Centro Cultural Olga Cadaval, apresenta desde ontem documentários obrigatórios. Esta mostra acontecer antes do Natal faz todo o sentido. Um tempo frágil que não é mais do que um alerta para uma crise, que é antes de tudo uma crise de valores. Por isso faz todo o sentido, partilhar por estas linhas, uma programação que relativiza muita coisa, do nosso espelho de tocador e nos abre os olhos aos mais cegos. O Natal, que nada tem a ver com o consumo desenfreado, é um bom momento para a viagem interior do que andamos todos a fazer das nossas vidas. Felizmente à volta da minha lareira o momento dos embrulhos é para as crianças, ficando os adultos, com a partilha de uma mesa – lugar que considero o sagrado de uma casa – com longas conversas de família. Mais aqui e os Documentários a acontecer hoje e amanhã em baixo.


O Preço do Sexo | 15 de dezembro – 21h30 – Pequeno Auditório
Um documentário que nos fala sobre jovens mulheres do leste europeu que foram arrastadas para o submundo do abuso e tráfico sexual. É uma história contada por sobreviventes, um filme que dá voz às mulheres silenciadas pela vergonha, o medo e a intimidação. Mimi Chakarova, uma fotojornalista que cresceu na Bulgária, elaborou uma investigação pessoal no mundo obscuro do tráfico de sexo da Europa Oriental para a Turquia, Dubai e Grécia. Contado através das histórias pessoais destas mulheres, recorrendo a filmagens secretas e fotografias, este documentário expõe as raízes do problema que continua a permitir que mulheres sejam vendidas para prostituição contra sua vontade e examina o que pode ser feito para o impedir.
Realização: Mimi Chacarova; Moldávia, 2011, 72’ | M/16

Sessão Dupla  16 de Dezembro – 16h00 | Pequeno Auditório
Vou Contar para Meus Filhos 
Entre 1969 e 1979, 24 mulheres estiveram presas na Colónia Pdeenal Feminina do Bom Pastor, em Recife (PE), por lutarem pela igualdade social e a democracia numa época em que o Brasil enfrentava uma ditadura militar. Passados 40 anos, o reencontro delas, que hoje moram em diferentes estados do país, traz de volta não apenas os laços de solidariedade que surgiram no presídio mas também a lembrança de um Brasil que tentou calar vozes e violentar sonhos. Este é um filme-memória indispensável para quem acredita na força de um ideal e na consciência política de um povo. Para quem não duvida que o tempo e a distância são incapazes de abalar amizades verdadeiras. Uma história para jovens e adultos que se deve manter viva por gerações.
Realização: Tuca Siqueira; Brasil, 2011, 24’ | M/12

A Cidade dos Fotógrafos
Durante o período da ditadura de Pinochet, um grupo de chilenos fotografou os protestos e a sociedade chilena nas suas mais variadas facetas. Na rua, ao ritmo dos protestos, estes fotógrafos formaram-se e criaram uma linguagem política. Para eles, fotografar foi uma prática de liberdade, uma alternativa para poder continuarem a viver. As suas fotografias serviram para apoiar o testemunho das vítimas da ditatura e foram essenciais para a abertura de processos por parte da justiça. Alguns deles foram reprimidos brutalmente, outros assassinados. Mas na sua maioria continuam vivos. Eles representam o trágico passado político do Chile e a metamorfose da sociedade chilena. É deles que fala este filme.
Realização: Sebastián Moreno; Chile, 2006, 80’ | M/14

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