A Emmerys em Copenhaga é um templo ao pão e, como uma boa padaria e café escandinavo, maravilha-nos também com os bolos, as tartes, as bolachas e o chocolate quente. Sofisticadamente simples, a qualidade dos ingredientes destacam-se apenas pelo olhar. Cheio da manhã até ao fechar, é um excelente apoio às caminhadas que se multiplicam pela cidade.

Uma boa aposta para brunch será também a cafetaria do Dansk Arkitektur Center, onde apanhei uma exposição pelo imortal Mies Van Der Rohe. Ainda a “Europe’s Best Architecture – European Union Prize for Contemporary Architecture-Mies van der Rohe Award 2011″. A livraria é uma boa cereja no topo do bolo, onde poderá passar longas horas à descoberta.

O momento cultural mais alto da estadia foi, sem dúvida, a visita ao Museu de Arte Moderna Louisiana, e a exposição ‘Self-Portrait’, que ficará até dia 13 de Janeiro. A visita exige um passeio de comboio de meia hora, fora do centro de Copenhaga, que vale a pena não apenas pelos tons da natureza, mas também pela observação do bom planeamento urbano também fora do centro.

A exposição com foco no auto-retrato desde o século XX até aos dias de hoje, reúne 150 obras de 64 artistas de todo o mundo. ’Pode um auto-retrato refletir a identidade composta de uma pessoa?’ É uma das perguntas que a exposição levanta. No início do século passado, a tradição foi influenciada pela ideia de romantismo do “génio criativo”, e o auto-retrato é nada mais do que representação de estado mental, existencial e social do artista e, por isso, é fascinante o diálogo que se interpõe com o visitante.

Bem representativo do espirito aberto dinamarquês, o café, e também restaurante, The Laundremat, abriu em 2006, mas continua a fazer as delícias dos locais e dos estrangeiros. O que começou como uma lavandaria veio a tornar-se num ícone, em Copenhaga, para comer um dos melhores hambúrgueres da cidade. Nas paredes, respiram frases pertinentes com a mesma certeza do que recolho da atmosfera dinamarquesa.

Copenhaga é uma cidade equilibrada. E na sua previsibilidade talvez peque pelo excesso de balanço, mas como o Al Berto bem dizia, ‘viajamos para confirmar a existência do mundo’, e mesmo sem me arrebatar o coração, ou as emoções mais intensas, regresso às palavras de O’Neill no Reino da Dinamarca.

crónica publicada a 14 de dezembro de 2012 na Vogue Online