© Isabel Saldanha

Na semana passada festejei os seis surpreendentes meses, desde que abri a porta desta plataforma Atlântica. 2012 tem sido um ano desafiante para os portugueses, com tempos de mudança, tempo de concessões profundas.

Por isso dou-me ao luxo de agradecer nestas linhas o privilégio da reinvenção e de ter tido, muitas vezes, a capacidade de me permitir continuar a sonhar. Nunca tive dúvidas das montanhas que me propus, e ainda me proponho, a subir nesta caminhada que é vida. Não desisto facilmente, mas confesso com toda a humildade, que estes últimos anos fui posta à prova, muitas vezes e de maneira muito exigente. Claro que comparando com um artigo que irei escrever amanhã sobre o debaixo de fogo do jornalista Paulo Camacho, tudo é relativizável. Mas quando a busca de um sonho, ou a perseverança de sermos felizes em tudo o que somos, nos exigem grandes concessões, nem sempre é fácil, por mais que nos faça sentido.

Ultimamente tenho ouvido cada vez mais pessoas a desabafarem a chatice da segunda ou a alegria de uma sexta. Talvez seja uma privilegiada de viver bem no risco, o que me permite não ter esse sentimento de despachar o tempo, para viver feliz ou realizada todos os dias da semana. Agradeço ainda a estoicidade que o meu Pai me deixou, como legado, de atravessar de cabeça erguida todas as adversidades. Por mais triste que por vezes o mundo nos deixe, agradeço ainda o facto de não me alienar da realidade. E nessa autenticidade de viver a vida, sem qualquer tipo de droga ou penso rápido, tenho contado sempre a verdade de quem atravessa as incertezas, como um viajante à chuva que caminha apenas com a roupa que trás no corpo sim, mas que encara sem medo a verdade.

Agradeço ainda a todos os que me ajudaram a chegar, todos os dias às quinze mil visualizações e aos tantos e-mails que recebo diariamente, desde que abri a porta. Pelo caminho deixei ficar, os que por falta de valores humanos e capacidade de associativismo ou boa concorrência, me que fecharam a porta. Ainda alguma perplexidade de confirmar tantos portugueses, que tanto tempo perdem com a antítese daquilo que considero ser o melhor lado do meu país, que é elevar a fasquia por cima. Portugal tem este defeito de tudo o que é concorrência é para ser visto como uma ameaça e eu compreendo que de facto pode ser difícil aceitar alguém que só concebe a sua vida com paixão, com uma causa maior do que um ordenado no final do mês, de alguém que nunca parou de lutar, de acreditar no seu valor e do seu país, de alguém que nunca teve a ambição de escrever como uma jornalista, mas antes de viver as suas cidades e fugas na primeira pessoa, fotografando-as e arranjando formas de rentabilizar o seu trabalho, sempre focada na solução e na palavra de tudo me ser possível. E sempre num registo que nos eleve, em vez de nos colocar numa lista de cidades subestimadas.

E fiz e ainda faço muitas concessões para poder erguer o castelo que quero edificar ao longo da vida, mas não concebo os portugueses que não veem a concorrência como um estímulo, mas antes como alguém que nos pode fazer sombra. Neste processo também os que se aproximaram apenas para levar alguma vantagem em proveito próprio. Hoje já os consigo identificar à distância felizmente. Por valores errados ou desespero, esse movimento que tanto tenho visto a passar à minha porta e que reduzo a ‘palavras leva-as o vento, atos definem os seres humanos’.

Na senda do agradecimento que iniciou este texto , não posso deixar de agradecer a quem escolhi para estar comigo no lançamento desta plataforma. A nobreza de coração da Maria e do Frédéric Coustols do lindíssimo Palácio Belmonte, uma das minhas moradas do coração na minha cidade. Na senda dos atos elevados a generosidade do Armando Ribeiro da Plataform-a, do talento e generosidade da Isabel Saldanha (também autora da fotografia que abre a porta a este texto) e do Nuno Sousa Dias que me fizeram as fotografias institucionais, da Cristiana e do Rui Vaz Franco da Love is my favorite color, da Rita Barreto (autora da mensagem das ruínas mais a baixo) e do Luís Ferreira da Galão que registou em video (em baixo) o dia do lançamento. Ainda o altar que edifiquei ao Miguel Guedes Ramos, o designer fez acontecer a imagem da Cidade na ponta dos dedos e a quem tanto devo e de quem Portugal ainda ouvirá muito falar.

Na ideia que tive de trazer um bocadinho da minha cidade ao lançamento, agradeço também a presença de moradas que adoro e que defendo como referência na minha Lisboa. A Denegro com os seus chocolates sempre únicos, a Quinoa que tem uma das melhores padarias de Lisboa, a excelência dos gelados do Santini, a ambição e qualidade do Sushi Café, a irreverência do The Decadente, e a Tartine que mudou a maneira como vivo o Chiado, com um dos melhores serviços da cidade e aquelas bolas de Berlim miniatura que me levam à desgraça muitas vezes. Ainda a Samsung, a Pernod Ricard que me apoia desde que me conheço nestes lançamentos e nas montras humanas que tenho oferecido à cidade sem fins lucrativos e a Leica e a Siva minhas parceiras desde o início e os primeiros a acreditar nesta plataforma.

Não poderia terminar este texto sem agradecer ao meu querido Porto estrondoso a maneira como me tem recebido nas minhas visitas mensais. Também a ajuda nas soluções que fui arranjando para o meu projeto dos idosos, o qual nunca consegui uma reunião com a Vereadora Helena Roseta ou continuidade na Santa Casa da Misericórdia. É importante não desistir quando nos fecham a porta e sei que isto são apenas detalhes de um começo.

No muito que ainda quero fazer, inscrevi-me no Programa Avançado de Gestão para o Turismo l UCP School of Business & Economics, que espero que seja mais uma caixa de ferramentas, para tudo o que ainda quero fazer pela Marca em Portugal. Em 2013 espero continuar a crescer e a mover-me, pelas ruas das nossas cidades, como um farol a todos o que me leem e contribuem para o meu caminho de evolução, a quem dedico estas linhas. A todos o meu imenso obrigada.


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