Todos nós temos referências na vida. Seres humanos que mesmo na distância nos moldam as ideias e os valores. Nunca mais me esqueço de ver em direto o taque às torres gémeas do 11 de Setembro e de observar que o jornalista Paulo Camacho não nos abandonou a tarde toda. Mas mais do que isso a saudade que tenho da sua postura no jornalismo e da solidez, que mesmo em silêncio e grande discrição, faziam do seu nome um dos que mais admirava na Sic e na televisão portuguesa.

O livro que acabou de lançar, Debaixo de Fogo é uma dádiva e uma grande entrega da sua parte este Natal. Atrevo-me a dizer que é uma lufada de ar fresco, para oxigenar o queixume cronico de Portugal ,que está longe de viver as situações realmente dramáticas, e que neste preciso momento estão a acontecer em tantos países do mundo. Estamos longe de imaginar o que é realmente viver ‘em crise’ e perante um testemunho destes, agradeço ao universo, a entrega, em forma de livro imortal.

Para quem não viu o Alta Definição este sábado, conduzida pela mestria de Daniel Oliveira, não perca esta grande entrevista aqui, um testemunho obrigatório a todos os portugueses. Uma entrevista onde o jornalista  nos entrega, de coração aberto, um farol que acende a nobreza de relativizar todos os desafios, que vivemos hoje em Portugal.

O nome de Paulo Camacho estará para sempre, na minha lista de jornalistas de excelência, uma lista de pessoas onde coloco apenas os seres humanos, que sei serem inteiros em tudo o que fazem. Em nome da fragilidade do mundo e da fasquia portuguesa, que se rege pela excelência aqui fica o meu imenso obrigada.

Ao serviço da BBC, Expresso e SIC, Paulo Camacho cobriu uma boa parte dos conflitos mais importantes que ocorreram no mundo desde meados da década de 80. Esteve em Bagdad no início das duas guerras do Golfo, várias vezes na guerra civil angolana, na guerra civil de Moçambique, no caos da Somália, nos confrontos da África do Sul depois da queda do apartheid, na guerra do Congo/Zaire quando o ditador Mobutu foi afastado, nos ataques israelitas ao Líbano ou na queda dos regimes do Bloco de Leste, como na Roménia e Checoslováquia. Neste livro, partilha as suas memórias desses tempos, as emoções de quem presenciou o inferno na Terra e a forma que encontrou para se defender de experiências extremas, como assistir à morte de crianças. Com prefácio de Ricardo Costa e apresentação no lançamento de Pinto Balsemão.