Um Natal com crianças tem mais sentido. Nos pequenos movimentos deparei-me com as minhas memórias mais antigas e delicio-me com a generosidade da lupa que, olhando para a estrela ao alto eleva a Noite de Natal a uma causa maior. Agradeço à minha framboesa mais velha, que sempre doce e muito inteligente tem gestos generosos, que agradeço também hoje ao universo. E agradeço à crise que aboliu finalmente os presentes entres os mais velhos, fazendo do Natal um momento mais limpo do consumo compulsivo, que faço questão de não ter por perto.

O vinho aquece-se à lareira, as velas acendem a mesa onde cabe uma família inteira, os guardanapos de linho engomados esperam horas de partilha de memórias longínquas. Os vidros dos lustres guardarão para sempre as nossas histórias e segredos e no seu reflexo, todos os que não estão (os vivos e os que já partiram) e que me fazem tanta falta. Também a humildade e o balanço de fim de ano que me acompanham sempre nestes últimos dias de 2012.

Na lista as mãos bem abertas agarram o coração dos pequenos gestos. Os mesmo gestos possíveis, ao movimento mais terno da humanidade. Aquele que olho com humildade, por tudo o que não fui e por tudo o que ainda serei, assim ‘como uma miúda guarda um tesouro’.

Feliz Natal.