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Há artigos que não me escorrem logo das mãos, pela absorção que é preciso fazer quando são projetos elevadamente inspiradores, para a nossa marca enquanto país. A família Symington reabriu as Caves 1890 da Graham’s e eu estive lá e voltei a Lisboa estasiada pela elevada excelência do projeto, assim como quem se enaltece, a observar do alpendre o poema do Postal do Porto, uma vista que é um poema silencioso e sem qualquer palavra que lhe faça justiça.

Há qualquer coisa de magnético sempre que os meus pés pisam os socalcos de Vila Nova de Gaia. Pela beleza da visão que recolho de tudo o que pode representar uma cidade, nas nossas emoções mais intensas. E sempre que a isso juntamos um enorme farol de luz, um sentido de família, a preservação do património resta-me curvar, e com a mão homenagear o feito.

Debruçado sobre a cidade do Porto, o  armazém de envelhecimento dos vinhos do Porto da Graham’s situa-se a poucos quilómetros do oceano e a escassos metros do Rio Douro. Ao longo do tempo provou ser o local ideal para o envelhecimento dos lendários vinhos e construído em 1890, e  é um orgulho sentir a alma de um edifício que mantém as suas características originais, protegido pelas centenárias vigas de madeira de pinho de Riga e  pelas espessas paredes de granito, os 3,200 cascos de carvalho e as garrafeiras onde envelhecem os lendários Portos Vintage Graham’s.


Deu-me muito gosto ver a simplicidade e o extremo bom gosto com que tudo é exposto com um elevado sentido de estética, mas acima de tudo de partilha. O edifício abriu ao público à vinte anos, mas agora e com o objectivo de apresentar o melhor dos 300 anos de história do Vinho do Porto, criaram-se espaços icónicos e distintos. No museu uma magnânima mesa da elevada Homes in Heaven e entre livros de lote centenários, podemos apreciar um passaporte assinado pelo Duke de Wellington, cartas de agradecimento do Presidente Obama e da Rainha de Inglaterra, o relógio Patek Philippe pertencente à Rainha Maria Pia, avó do último Rei de Portugal, e oferecido pelo fundador da família Symington em Portugal à sua mulher – Beatrice Leitão de Carvalhosa Atkinson – em 1910.

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O bilhete do Museu dá direito a uma visita guiada e prova – com escolha entre 7 tipos de prova diferentes que vão desde uma prova clássica de 3 vinhos a €5 até uma prova de luxo – Graham’s Colheita 1952 por €50 e ainda acesso à icónica Sala Vintage para provas a partir de €20. As visitas estão disponíveis em idiomas variados e ainda podem ter  acesso a menu do bar de vinhos ou restaurante com menus de harmonização ou a visitas em salas privadas e prova de vinhos raros.


Num nível abaixo do Museu respiram as caves e é a passear pelos corredores místicos que inspiro de olhos fechados. Abraçada por mais de 3200 cascos o cheiro a adega invade-me os sentidos, e a minha imaginação escuta as mãos dos artesãos e os traços de Paul Newman português do Mestre Emílio a tocar o carvalho que pulsa com mais de 100 anos de idade.

Também a  ligação do homem à natureza, o desafio dos socalcos do Douro, as uvas apanhadas à mão, os aromas, os sabores, e a importância se acreditar na tradição e do que uma família pode fazer por uma cidade, por um país. E tudo isto ganha corpo na Sala Vintage, um espaço onde se pode degustar alguns dos melhores vinhos do Porto de sempre, entre livros de arquivo da família dignos de um alfarrabista. Já sabem que como filha de um, os livros antigos têm sempre uma enorme lupa à minha observação.


No fim do caminho, as portas abrem-se  a uma loja que prima pela boa apresentação e a um restaurante que acredito ir dar muitas cartas altas na oferta do Porto e de Vila Nova de Gaia. Uma imensa parede de vidro separa a sala principal dos 3,200 cascos onde envelhecem os mais valiosos vinhos da Graham’s, servidos a copo na lista de vinhos do restaurante e por outro lado, no prolongamento da sala principal, o Atrium oferece uma das mais belas paisagens da Europa, debruçado sobre a histórica cidade do Porto, o rio Douro e a Ponte D. Luís. O tal poema que já referi e que de noite é ainda mais bonito.

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O Vinum, restaurante e bar de vinhos está assim a poucos metros onde o vinho é envelhecido. Quantas caves do mundo gozam deste privilégio?

Na sala sustentada por pilares de 1809 tenho o privilégio de almoçar ao lado de Paul Symington. Há tempo que admiro esta família e de tudo o que ela dá a Portugal, mas sair ainda mais satisfeita do que a minha expectativa encheu-me de alegria. Dou muita importância à mesa e ao sagrado entre seres humanos que se vive à volta dessa peça de mobiliário que tanta importância tem nas nossas vidas. As gargalhadas, as provocações, os testemunhos e as convicções, mas acima a cumplicidade com a vontade que move montanhas. O almoço começa com uns bolinhos de bacalhau e continua com saboríssimos pratos (que deixo em partilha fotográfica), sempre  muito honestos, no sentido de uma gastronomia que procura aliar os melhores e mais frescos produtos do Douro e Norte de Portugal com o melhor que o oceano Atlântico.

Toda a orquestra do restaurante é feita pela Sagardi, uma das mais bens sucedidas empresas de restauração, que com o basco Iñaki Lz de Viñaspre se expandiu por todo o mundo. Tal como a Symington sabem bem o valor de uma empresa familiar e com grande sabedoria e uma pinta de cair para a banda tem colocado as melhores tradições gastronómicas bascas ao serviço de muitas regiões gastronómicas como o Santiago do Chile, Buenos Aires, Amesterdão, Madrid e Barcelona.

Mas neste caso específico foram-se buscar os ingredientes locais, e todos os pratos são confeccionados a pensar nos ingredientes portugueses e no bom entendimentos de cada vinho da garrafeira. Iñaki Lz de Viñaspre almoça à minha frente e faço das suas as minhas palavras, quando me partilha o que sente sobre este projeto da familia Symington: visão, inteligência e emoção.


A carta respira o melhor da cozinha tradicional do Douro, de Trás-os-Montes, do Minho e do Oceano Atlântico e podemos provar Chamuças de Moura e Maçã, Alheira grelhada com pimentos, peixe grelhado da lota de Matosinhos e costeletão de vaca velha de Trás-os-Montes. A estes pratos tradicionais, acrescentam um toque de inovação inspirado nas mais importantes referências da cozinha internacional, no intuito de oferecer uma experiência gastronómica singular, como os Bifes Tártaro, o Rosbife, o Foie Gras Mi-Cuit ou o Rabo de Boi guisado com vinho.

Todos os pratos foram especialmente criados para ligar com os Douro DOC e os Vinhos do Porto produzidos pela família Symington, assim como com vinhos produzidos por produtores amigos da família no Douro e noutras regiões vinícolas a nível nacional e internacional. Assim respira a garrafeira,  numa das paredes recatadas de um espaço mais privado e que tem uma grande mesa, ideal para grupos que queiram estar num ambiente mais recatado da sala de jantar.

Os valores andam entre os €40 e os €50, com vinho incluído e leiam bem esta frase, esta será uma experiência obrigatória a partir de agora no Porto. Nas imagens deixo-vos a minha experiência que terminou com um vinho cheio de história e com o sabor do estalar das nozes, assim como os pequenos detalhes que fazem a diferença e que a familia Syminngton soube implementar com uma elegância subtil, aquela que é a mais nobre de todas.

Museu Graham’s Caves 1890 e Vinum
Rua do Agro, 141 (Grahams Port Lodge) Vila Nova de Gaia, Porto
Tel.  220 930 417
Museu, Caves e LojaTodos os dias das 10h às 18h (última visita às 17h30)
Bar de Vinhos  Todos os dias das 10h às 24h
Vinum Todos os dias do12h30 às 16h e das 19h30 às 24h
www.grahams-port.com
www.vinumatgrahams.com

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