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Conheço o Olivier desde o liceu quando já fazia patuscadas aos amigos e da sua crua frontalidade, tenho-lhe admiração por saber escutar a cidade. Ao longo destes anos e desde que cheguei dos meus dias em terras helénicas – e já passaram sete anos – o Olivier tem sabido à sua maneira, sempre sem filtro, mas com muita dinâmica e vontade, oferecer a Lisboa muitos projetos para todos os mercados e feitios.

E se o Guilty não faz a minha praia, já o Yakusa gosto bastante, assim como os pequenos-almoços e almoços de trabalho que tanto gosto no Avenida. Já sabem que gosto de boa comida, mas dou ainda mais valor ao movimento da cidade, e nisso o Olivier tem sido atento e vai criando a sua marca agradando a gregos e a troianos. A cidade fecha portas e abre outras e passava eu ontem na antiga Cervejaria Alemã, onde o Olivier tinha o seu Café, agora restaurante Galego que ainda não experimentei, na rua da minha infância. E se com pena minha perdemos o Café, ganhámos um novo restaurante, o Honra, que respira  Portugal por todos os poros.

No coração da Praça onde agora pulsa o The Beautique Hotel Figueira, o Honra habita o piso térreo e é uma homenagem de Olivier à gastronomia nacional. A missão tem como objectivo a experiência de comida, doçaria e pastelaria genuinamente portuguesas, com produtos de produtores nacionais. Os pratos típicos são as sugestões para o almoço ou jantar e, durante a tarde, a pastelaria e a doçaria conventual tomam conta da praça, para a hora do chá com o Pastel de Nata d’Honra ou o Travesseiro d’Honra, entre outras especialidades.

No bar, a sugestão de cocktails inspira-se nas mais características bebidas lusas, com ginja, amêndoa amarga, vinho do Porto ou o licor beirão. “É o orgulho e a honra na nossa cultura gastronómica que queremos partilhar com os próprios portugueses e também com os que nos visitam, que podem ter uma experiência do que é a autêntica comida duma mesa portuguesa. Estamos numa localização fora de série, como é a Praça da Figueira, num espaço único, com um ambiente, decoração e serviço a que a nossa marca habituou os seus clientes”, diz Olivier. “O Honra foi concebido com um conceito forte do que é a nossa comida, seja para almoços e jantares, mas também com uma componente muito forte da pastelaria portuguesa, em que, de manhã ou tarde, se pode entrar e tomar um café e um pastel de nata de Honra, ou um lanche preguiçoso.” No que toca ao bar, o ambiente estava elevado para a penumbra portuguesa do presente e experimentei um cocktail com o nome da casa que recomendo.

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No restaurante Olivier foi buscar as suas memórias mais antigas: “Confesso que contei com a minha Avó, de 86 anos, que é a minha cozinheira preferida, para ajudar a definir a ementa e a ensinar como se fazem as melhores ervilhas com ovos escalfados, só para dar um exemplo. Sempre quis ter um restaurante com a comida da minha Avó”. Assim nasceu uma carta dividida entre entradinhas de Portugal, peixes, carnes, pratos do dia e sobremesas.

Na minha experiência provei a salda de polvo e os peixinhos da horta que adorei. Partilhei uma Arroz de tamboril com lingueirão e camarões , sempre acompanhado com o tinto Papa Figos do Douro. Provei o mini pasteis de nata, o mini travesseiro e provei a musse de chocolate. Pareceu-me tudo muito bem, e a um preço apetecível para a qualidade do serviço e para o ambiente perfeito a todos os níveis (design, luz e pessoas).

A decoração, tal como o hotel é assinada por Nini Andrade Silva, e inspira-se no conceito em torno de uma figueira, o grande elemento de destaque, composto pela materialização do tronco da árvore, que sobre ao longo do interior do edifício. “Todo o espaço é harmoniosamente concebido em redor deste elemento central, uma verdadeira escultura de formas geométricas orgânicas, de extrema voluptuosidade e de uma expressividade visual que transforma todo o espaço numa experiência especial. Peço menos para mim que tenho um enorme respeito ao tema dos figos e das figueiras.

No cenário de conjuntura muito delicada, a abertura do Honra é uma lufada de ar fresco. Não apenas por ser novidade, mas acima de tudo por ser a versão mais portuguesa do Olivier, e por estar numa praça que ligará a dinâmica do Chiado e da Baixa ao Martim Moniz. Uma morada que na senda do design natural e irreverente está a dar muitas cartas altas a Lisboa.

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Honra by Olivier
Praça da Figueira, 16 Lisboa
Tel. 210 194 154
www.restaurante-olivier.com
Todos os dias das 7h às 10h30, das 12h30 à 15h e das 19h30 às 00h
Bar das 10h30 às 01h

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