O café Lisboa do chef José Avillez.foto- paulo barata 2013

Depois do Cantinho, do Belcanto e da Pizzaria Lisboa, Zé Avillez (o Príncipe do Chiado como gosto de lhe chamar) lança mais uma carta alta para a minha cidade. Desta vez um café que lhe faz homenagem: o Café Lisboa.

A morada do seu novo restaurante é um privilégio ao meu saudosismo de viver uma casa da Ópera nacional à altura da minha imaginação. Sem querer fugir ao século onde vivo, elevo a batuta do chefe que tanto tem feito pela marca da nossa cidade. O bar do Teatro de São Carlos ganha assim uma nova vida, e talvez a mais merecida depois de tantos anos a viver na nobreza da espera de alguém que lhe soubesse a ler a mais fiel pauta.

E se já ninguém tem dúvidas de que quando Avillez sonha a obra nasce, o Café Lisboa é a concretização de mais um dos seus sonhos, uma homenagem à cidade e aos seus pratos emblemáticos, recuperando o espírito dos antigos cafés lisboetas. Essas moradas antigas que se foram perdendo e que vivo apenas pelas páginas soltas dos livros da Marina Tavares Dias,  imortalizaram conversas e tertúlias de artistas e intelectuais. E é aqui que rasgo um sorrido embevecido, na emocionalidade de criar experiências a que o chefe Avillez  já nos habituou, no Café Lisboa recria-se tempo e espaço para os ingredientes mais deliciosos de uma cidade, sejam eles literários, filosóficos, políticos ou visionários. E é caso para agradecer: a memória da cidade está em boas mãos.

A carta é inspirada na capital e abre o pano com a já famoso Pastel Lisboa, um pastel de massa tenra,  com carne estufada, picada à faca, regada com umas gotas de aguardente para quando fritar evaporar o álcool, tornando a massa muito leve. Para entrada ou para acompanhar com arroz de grelos – que já teve o elogio do primeiro cliente da casa, imaginem, nada mais nada menos que John Malkovich – abrem muito bem as honras da casa. Também os croquetes de novilho, que me chegaram quentinhos  e aqui o meu querido Gambrinus que se aguente, porque para um copo de vinho e uns croquetes depois de um concerto, o balcão do Café Lisboa (a cozinha fecha à depois da meia-moite) ganha neste momento a minha nota máxima, com estes croquetes que ao desfazerem-se são de comer e chorar por mais.

Para elogiar os bifes da cidade, José Avillez estudou bem a sua história. Em vez de despejar as tão ‘batidas’ natas para ligar os ingredientes, o chefe criou um caldo com os ossos e as aparas da carne, ao qual junta apenas um pouco das ditas, de mostarda ou de manteiga. Assim nasce a formula base dos muitos bifes da casa:  Bife à Café Lisboa, Bife de cogumelos Portobello,  Bife com molho de foie gras e trufas ou o Bife com copita, cebola e queijo da Serra. Para os amates da carne há ainda Rosbife com batatas fritas, tomate, alface e emulsão de mostarda e pickles, Bife tártaro, Hambúrguer de barrosã DOP ou o tradicional Prego.

Mas há mais: Bacalhau à Brás (que em tempos de chamou Bacalhau Lisbonense) com as já muito famosas azeitonas, o Arroz de Pato com couve lombarda ou os Croquetes de novilho (a minha atual perdição) com Arroz de Tomate. Nos pratos mais leves, e para petiscar idealmente na esplanada, há Gaspacho de cereja com requeijão, manjericão e presunto, Cabeça de xara com molho de mostarda e pickles, Salada césar com frango, Salada de rosbife com coração de alface, tomate, creme de abacate, queijo azul e vinagreta de mel e nozes, Salada de salmão fumado com alface, croûtons e molho de iogurte e cebolinho.

Das três vezes que lá fui não me aventurei nas sobremesas, mas para os viciados do lado mais doce do chefe há Salada de frutas com hortelã e lima, Mousse de chocolate, Toucinho-do-Céu de Lisboa com sorvete de framboesa, Torta de laranja com sorvete de laranja, Bola de sorvete ou de gelado,  Pastel de Nata com açúcar e canela e que também se podem levar para casa numa caixa própria do Café Lisboa.

Próprias são também as conversas. Seja com um grande cronista da nossa praça, seja com uma amostra da mais recente abertura da nossa cidade a um homem de Coimbra que respira mundo, ou com um amigo lisboeta que ama esta cidade tanto como eu, a ordem é para debater. Pelo meio das conversas e filosofias mais intimas, o dourado dos detalhes das paredes  e o caranguejo que respira o talento de Joana Vasconcelos testemunharão importantes conversas lisboetas. Conversas entre homens, mas também entre mulheres, amantes do país que aprofundam as sapiências da vida, como quem não teme mostrar os seus maiores tesouros, abrindo-se a um mundo maior.

Sobre ousadas entregas já todos sabemos que José Avillez é mestre. Por isso e mais uma vez  e  sem nunca cansar de me repetir, o tanto que este chefe faz pela nossa cidade, obrigada querido Zé pelo tanto que dás a esta nossa amante Lisboa.

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O café Lisboa do chef José Avillez.foto- paulo barata 2013O café Lisboa do chef José Avillez. foto- paulo barata 2013

Café Lisboa
Largo de São Carlos 23, Lisboa
Tel. 211 914 498
Todos os dias do 12h à 01h
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