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as pedras da calçada ainda respiram

os passos transportam-me no chão da idade
e no tempo em que gostava de rebuçados,
lembro-me dos passeios dados pela mão de uma Mãe Portuguesa no Chiado.

o Pai com missão no mundo alfarrabista na Rua do Alecrim
fizeram deste bairro tão mágico a minha segunda primeira casa.

pelas ruas da cidade onde vale a pena olhar para o chão, lembro-me assim da montra da Pastelaria Ferrari e das bolachas com olho de framboesa, da beleza indescritível da Perfumaria da Moda e dos milhares de frascos de cores diferentes, dos vidros com miçangas da Casa Batalha que tanto me preenchiam os sonhos de menina princesa, do elegante Senhor Duarte que transportava as senhoras de ancas largas que compravam cremes a kilo no ainda vivo mas escondido elevador do Ramiro Leão, das enormes panquecas da Caravela, do mundo da Benard onde passei tantas tardes a brincar. lembro-me principalmente de ser tão agradável e único.

quando o passado não se apaga, as cinderelas portuguesas podem ainda tocar com a ponta dos dedos a Luvaria Ulisses e transpirar os seus sonhos no Paris em Lisboa.
as memórias, essas ainda vivem sempre que desço o Chiado e sinto o aroma passando em frente à Casa Pereira.

passa-se assim um testemunho de tacto e de magia de outro tempo.

publicado em Maio de 2005 no Guia Convida Chiado