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Seja pela luz, ou pela graça da nossa cidade viver abraçada ao Atlântico, muitas são as razões da chegada dos viajantes do mundo. Depois de quatro semanas de uma Lisboa deliciosamente vazia, a cumplicidade e beleza das ruas engrandece-me numa cidade ainda mais luminosa. Num desses dias solta-se a noite e o reencontro dos amigos que ficam. Com eles, um viajante de alegria larga e na mala de viagem mensagens sem nome. A beleza do mundo vive também nos sorrisos livres e se estar vivo é também compreender o mundo, muitas são as respostas transportadas pelos outros. Chegam carregados de luz e mostram-nos caminhos de uma outra beleza penetrante. De mão dada à palavra verdade é um privilégio receber de mãos abertas uma visão tão original da minha cidade. Habituado à serenidade das montanhas brancas, a magia de Lisboa foi entendida como “hipnotizante, nostálgica e texturada”. E se para alguns, a cidade branca empobrece em alguns momentos decadentes, para outros toca-se de perto entre esquinas escondidas e cores que testemunham uma outra beleza sublime. Com um registo roubado na Rua do Sol a Santa Catarina, a partilha, pela luz.

publicado em Setembro de 2008 no Lisbon Golden Guide