Pin it

A minha Lisboa alarga-se com os viajantes. Quando regressei a Portugal transportei o receio de perder o contacto com os curiosos do mundo, mas depressa conclui que um dia de malas na mão, eternas asas largas. Viajar será sempre um dos objectivos mais prodigiosos de uma vida humana e quando me lanço ao tamanho do globo abraço a cumplicidade de Almada Negreiros, quando confirmava que os seus anos de vida não chegariam nem para metade da livraria. As viagens serão sempre mais soberanas na riqueza da experiência humana e por isso o caminho eleva-se com os outros, esses seres que nos enriquecem e nos estendem a alegria da existência. Em terras lusas cruzei-me com um amigo livre de terras francesas. Há dois anos a viver em Lisboa, para concluir um doutoramento sobre os fogos nas florestas, a sua expressividade na língua portuguesa é exímia, a sua paixão por Portugal também. Porque uma capital conduzida por um estrangeiro é uma experiência sempre exuberante, deixei-me levar pela sua Lisboa. E foi pela mão da sua curiosidade que me cruzei com o miradouro de Santo Estevão, uma certeza azul e surpreendente, onde o Tejo se espelha e o mundo se espalha.

publicado em Outubro de 2008 no Lisbon Golden Guide