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Permaneço. Da minha janela alcanço o mundo, numa viagem onde o silêncio é transbordante. Hoje onde abraço a cidade de frente, estendo-me no mais puro dos reencontros. Tudo é possível. As palavras soltam-se das imensas páginas e segredam-me a importância do um tempo ainda mais intacto. Hoje desaguo no Atlântico, devolvendo ao horizonte da cidade o rasgo urgente. Hoje permaneço. Debruço-me sagitariana sobre o porto onde caixas de cores vivas viajam os meus desejos mais elevados. Únicos, demorados, ‘resgatantes’ e sem receio, a entrega é absoluta. E como uma mulher livre, vivo a dádiva numa morada que não precisa de nome. É o topo de uma montanha imensa, onde toco o céu com a ponta dos dedos. Hoje, de onde abraço o Cristo de frente Lisboa, é imaginável. E se hoje demoro-me no mais cúmplice dos lugares, amanhã serei mais extensa. Como a minha cidade.

publicado em Janeiro de 2009 no Lisbon Golden Guide