Pin it

Sancha Trindade recorre las románticas calles de Oporto para mostranos la cara más cosmopolita de la llamada ‘ciudad invicta’. Descubre los museos, cafeterías e restaurantes de moda y déjate empapar por el sabor de uno de los mejores vinos del mundo.

Canta o pai do rock português, Rui Veloso, residente nesta cidade misteriosa e considerado além fronteiras pelo bluesman lusitano, para bater à porta devagar. É que esta morada surpreende. Abraçado às águas serenas do Douro, o Porto vive mais do que nunca uma energia inovadora, e onde a ideia de trendy vive como uma busca incessante do pioneirismo de quem acredita e constrói. Situada no litoral norte de Portugal, na margem direita da foz do rio, a segunda maior cidade portuguesa, conhecida também como a irreverente capital do Norte é um lugar onde habita a ideia de mundo, a intelectualidade e a beleza da palavra romantismo. Com uma população original que remonta à Idade do Bronze, o nome da cidade deve-se ao baptismo romano com o nome de “Portus” a que mais tarde se juntou o termo “cale” dando assim origem a “Portucale”. Orgulhosa da sua história, o Porto, sempre burguês e cosmopolita, habituou-se desde muito cedo a acolher entre as suas muralhas comerciantes, artistas e marinheiros de várias nacionalidades como holandeses, flamengos, franceses e, especialmente ingleses, profundamente ligados à economia e cultura da cidade.

Pin it

Hoje com uma área urbana de apenas 42 Km2 e população de cerca de 400 mil habitantes, a área metropolitana do Porto com cerca de 1 700 mil moradores, segue os passos do passado e apostando no futuro, acolhe movimentos culturais de vanguarda, com especial destaque para a arquitectura, artes plásticas, música, literatura e poesia. Monumental, próspera, e onde a economia sólida crescente é gerada pelos sectores industriais, predomina um forte espírito empreendedor ao qual se alia um riquesa cultural e gastronómica. É considerada uma das mais bonitas cidades de Portugal, e tem por isso o seu centro histórico classificado pela UNESCO como Património da Humanidade.

Pin it

Com o mundo à cabeceira, qualquer viajante que venha descobrir o Porto será com certeza contagiado com a adrenalina viva, que se vive hoje nas ruas da capital do norte. Com mais de um milhão de turistas por ano e sendo uma das cidades mais visitadas da Europa, frágil, a memória da paixão, o convite é urgente.

Luxuoso e confortável e decorado com verdadeiras obras de arte, o Hotel Infante De Sagres será a morada de eleição para sonhar durante a estadia. O único cinco estrelas está situado no coração financeiro do centro histórico e fica a três passos dos mais emblemáticos pontos de encontro da cidade, ao lado da praça ladeada pelo edifício da Câmara Municipal e pela mais famosa sala de visitas portuense, a Avenida dos Aliados. Com quartos distintos entre si, o hotel decorado com tapeçarias orientais, porcelanas chinesas, obras de pintura portuguesa contemporânea, paredes e tectos em madeira talhada e magníficos vitrais de Sérgio Leone, renderá qualquer curioso a uma inigualável viagem ao passado.

Pin it

Para abraçar a cidade pela primeira vez é obrigatória a subida à Torre dos Clérigos, um monumento barroco da autoria de Nicolau Nasoni e que é um considerado um verdadeiro ex-libris. Perto da Avenida dos Aliados onde os portuenses se concentram sempre que querem festejar algum momento especial, está um dos mais emblemáticos cafés, o Guarany. Irmão de sangue e ainda mais genuíno é o Café Magestic, na Rua de Santa Catarina, que ao som do piano conta a história do Porto dos anos vinte, dos debates de ideias e tertúlias políticas da Belle Époque. Continuando a viajar no tempo é também obrigatória a visita à Livraria Lello, considerada uma das mais bonitas do mundo. Como uma verdadeira catedral de palavras, os livros habitam as originais estantes do século XIX, iluminados pela suave luz da clarabóia e envolvidos pela belíssima escadaria, com o convite a um verdadeiro café literário. Ainda nesta parte da cidade não poderá perder o Centro Português de Fotografia na Cadeia da Relação, e a visita à Rua Miguel Bombarda, o Soho cá do sítio, onde se concentram algumas das principais galerias de arte, e onde se pode descobrir o comércio mais alternativo e contemporâneo da cidade.

Para um passeio verdadeiramente misterioso e depois de visitar a Sé desça pela encosta e deixe-se perder entre as casas antigas e os monumentos seculares observando a movimentação dos habitantes típicos que fazem da Ribeira um lugar inesquecível. Atravessando a ponte D. Maria, construída nos finais do século XIX por Gustavo Eiffel, alcançará um dos pontos altos da viagem, a visita às emblemáticas caves do vinho do Porto, onde poderá provar um dos melhores vinhos do mundo. Aqui,em Vila Novade Gaia contemple ainda o espectáculo do pôr-do-sol numa das muitas esplanadas junto ao rio.

A meio caminho, entre o centro histórico e a Foz, a cultura chama-nos na Rotunda da Boavista onde se impõe um edifício com uma volumetria original, a Casa da Música. Da autoria do prestigiado arquitecto e urbanista holandês Rem Koolhaas, esta casa foi concebida para servir um projecto cultural inovador da Porto 2001, Capital Europeia da Cultura. Pensada para ser o palco de todas as músicas, da clássica à electrónica, do jazz ao fado, das produções internacionais aos pequenos projectos experimentais, esta casa aposta na grande qualidade das infra-estruturas e numa programação dinâmica e inovadora. Muito curiosa a história deste edifício conta que a arquitectura foi adaptada de um projecto de habitação, para um casal que se dava mal e que querendo construir uma casa, poderiam chegar ao fim já divorciados. Depois de uma viagem a África, o arquitecto achou que a forma que tinha concebido para a casa do casal era a forma genial para um auditório de música.

A Foz do Douro é outra zona de excelência, que habitada pela classe alta da cidade e com o seu passeio marítimo salpicado de esplanadas, bares e jardins à beira-mar fazem desta linha, uma das mais elegantes do Porto. Será aqui que não poderá perder a vista da pizzaria Casad’Oro, num edifício do Engenheiro Edgar Cardoso, debaixo da Ponte da Arrábida. De uma cozinha que nada tem a esconder e de dois fornos a lenha saiem as melhores pizzas da Invicta, com mozzarella vinda directamente de Nápoles. Não deixe de provar o chá frio com canela, a pizza de figos acompanhado do prosecco de framboesa. Ainda na Foz terá ainda direito a um dos restaurantes mais em voga, o Cafeína. Numa casa restaurada do início do século, frequentada por actores, músicos, políticos, estilistas, manequins e anónimos fazem acontece um dos lugares mais cosmopolitas da cidade. Para continuar a contemplar com tranquilidade o mar guarde ainda tempo para uma visita à Sala de Chá da Boa Nova, da autoria do Arquitecto Siza Vieira em Leça da Palmeira, onde está o pólo mais trendy portuense do momento.

Mas não ficará a conhecer bem o Porto se não visitar a Fundação de Serralves. Nascida em 1989, de uma parceria entre o governo português e algumas instituições públicas e privadas, tem como intenção a sensibilização para a arte contemporânea e para o meio ambiente. O Museu de Arte Contemporânea com mais de 12 mil metros quadrados, da autoria do famoso arquitecto Álvaro Siza Vieira reflecte um ambiente sereno composto de linhas brancas. Mas mais do que cultura, Serralves é um lindíssimo convite ao cenário de sonho que compõem os jardins. Impressionantes pela simetria e formas, cores e odores, a variedade de espécies é uma das características mais marcantes. Além da biblioteca, do auditório e de uma cafetaria, tudo construído sem prejudicar a natureza, procure ainda a casa de chá que o deixará ter longas conversas envolvido em muita serenidade.

A descoberta do Porto será sempre uma viagem de contrastes, entre as românticas esquinas do passado e uma outra energia contemporânea com vontade de ser partilhada. Sobre a magia desta cidade, escreveu o autor de muitas das cantigas que fazem parte da lembrança dos portugueses, o carismático Rui Veloso: num fim da tarde de águas mansas e sobre a nudez frágil como as asas de uma vida, será sempre renovadora a brisa onde adormecemos e onde temos de viver todo o tempo do mundo.

publicado no número 15 de Fevreiro de 2009 na revista Condé Nast Traveler España