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Abordaste-me com a ternura do receio, de quem já não habita esta cidade há alguns anos e no desejo do regresso, a saudade antecipada do abandono da tua última morada. Na estrada onde rasgas os horizontes de um amor maior, a exactidão da irrecusável importância das pessoas e no poder do toque, um passado cúmplice que confirmava a minha e a tua visão do Mundo. No momento via-me ao espelho, quando também eu depois de quatro anos fora, regressei a esta cidade e as dúvidas expectantes rasgavam-me um sorriso, daqueles que apenas troco comigo.

Enquanto não o confirmas pela tua experiência pessoal, abraço a tua expectativa e sem ter a certeza que te cheguem estas palavras inteiras, confirmo o teu Chiado sublime, a privilegiada vida de bairro e a elegância das ruas onde não precisarás de nenhuma misericórdia. E entrego-te com a verdade de dois braços abertos de que a nossa cidade acontece na partilha de um testemunho: os passos mais livres, os sorrisos novos e a transversalidade onde devagar nos transbordamos aos olhos do Mundo.

Amanhã, no final dessa viagem e quando alcançares o outro lado da margem, guarda as palavras das harmonias tantas vezes negadas, as mesmas que na distância do nosso lado alado, se retêm na invenção da beleza e nos encontros inesperados da cidade imaginada.

publicado em Outubro de 2009 no Lisbon Golden Guide