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Para Sancha Trindade, especialista e autora de vários textos sobre ‘turismo em Lisboa’ não há qualquer dúvida que Lisboa é uma cidade que soube ‘preservar toda a alma’, tal como a Associação que atribuiu o prémio mencionou. ‘Mas mais importante do que isso’, refere Sancha Trindade, que nos deixa na página ao lado algumas sugestões ‘sobre o que fazer em Lisboa’, a capital portuguesa ‘é uma cidade que cativa um dos lados mais densos da profundidade dos seres humanos. Neste preciso momento lembro-me das palavras do [poeta] Al Berto quando diz que em Lisboa ‘ainda é possível inventar uma história e vivê-la, ou ficar parado a olhar o rio e fingir que o tempo e a Europa não existem. Numa actualidade que se pretende cada vez mais inteira, Lisboa tem uma beleza misteriosa rara e é a mais cénica de todas as cidades seleccionadas.’, conclui a especialista.

À conversa com Sancha Trindade, autora do blog ‘lisboanapontadosdedos’, fundadora da criarte.pt e editora da newsletter da personaltime.pt, descobrimos quais os spots eleitos por esta autora, formada em História de Arte, que viveu fora uns tempos e que de regresso se agarrou à sua eterna paixão: a arte. Neste caso de ser viajante na sua própria cidade. Aqui fica um breve resumo do que fazer – e sobretudo do que não perder.
Onde levar um turista?
Segundo os diálogos de um dos filmes de Bertolucci, “os turistas pensam em retornar a casa, os viajantes nem sempre voltam”. Sempre preferi os viajantes. Não deixaria de partilhar o Jardim de São Pedro de Alcântara, o 28 (do Chiado às Portas do Sol), a vista do Castelo, a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, o MUDE, os jardins da Gulbenkian a Exposição da Joana Vasconcelos no Museu Berardo, a ponte (ida e volta) e um passeio de barco à vela no Tejo.
Quais os lugares a não perder?
O tempo será sempre breve, mas esforço-me sempre para não abandonarem a cidade sem terem tomado o o pequeno-almoço no Quinoa ou no Kaffehaus no Chiado, compras na Luvaria Ulisses, na Vida Portuguesa, na Feira da Ladra, nos Alfarrabistas da cidade e na livraria Ler Devagar do Lx Factory. Ainda a Casa Pereira, com direito a uns dos aromas mais inesquecíveis do Chiado. Ao fim da tarde qualquer Quiosque do Refresco, um pastel de Belém, um Porto Tónico no Palácio Belmonte, ou um Hendrick’s na varanda do Bairro Alto. Para sentar à mesa, sem hesitar, o Papa Açorda, a Bica do Sapato (apenas a cafetaria), o Chapitô, ou o jantar na Taberna Ideal, agora também com uma ‘Petiscaria’ também ‘Ideal’ na porta ao lado. Fado no Mesa de Frades e na senda da noite, o Lux.
Hotspots do momento
O restaurante Largo (apenas por ser novidade) no Largo de São Carlos, o brunch do Kaffehaus(recém aumentado), os risottos do Bocca, o pão biológico e suspiros de canela no Quinoa, os colares da Lijda Kolovrat na sua nova loja da Rua Dom Pedro V e as freseas (sempre eternas) do Maurício Fernandes no Em Nome da Rosa.
Lugares de culto da cidade
Neste momento a nova Assírio & Alvim bem escondida no Chiado, o Epicurista pela selecção de produtos do Armando Ribeiro e o Shortcutz (iniciativa do Rui de Brito) no Bicaense todas as terças feiras pela iniciativa e transversalidade.
Qual o factor D da Lisboa
A luz, a história, o Tejo, a poesia, as esquinas escondidas e as boas vibrações dos que fazem esta cidade acontecer.
Uma sugestão para Lisboa ser mais “bela”?
Árvores, muitas árvores e o desejo de podermos ir da Avenida da Liberdade ao Príncipe Real pelo Jardim Botânico.

este artigo foi publicado a 2 de Abril de 2010, no Diário Económico