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regresso com as mãos mais humildes.

privilegiada a partir do momento que respiro a nossa brisa Atlântica, Lisboa recebe–me com suavidade, enquanto abandono a pele gasta de calor intenso. sem saudade, liberto-me dos 48º com 75% de humidade ou dos tórridos 53º que apanhei no deserto. no regresso ao passado, recordo-me que quando parti com o nome de um post que homenageava um dos filmes que mais gosto de Bertolucci, estava longe de imaginar que encarnaria o desespero de Malkovich em terras ‘emiratis’. na vontade do regresso, transportei na mala a confirmação do nosso papel no mundo e a ternura com que recordo todos os que constroem a tristeza das cidades inquebráveis.

e se o plástico demora anos a desfazer-se na natureza, os sorrisos livres dos povos mais nobres com que me cruzei – e homenageio a Índia, o Sri Lanka, o Paquistão, o Egipto, e as abençoadas Filipinas – paralizam-me na frase de um dos poetas desta cidade.

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Armani, um hotel do mundo
Conhecendo as minhas gavetas mais líricas e o crescente abraço a um estilo de vida mais orgânico, muitos foram os que me perguntaram sobre a minha visita ao Dubai. Mesmo sem a causa que me transportou aos Emirados Árabes Unidos – a de escrever sobre o novo hotel Armani – a resposta foi simples: ‘tomar conhecimento do mundo’. As viagens enaltecem a nossa erudição e a nossa extensão de universo por isso é sempre abençoada, qualquer que seja a partida do aeroporto da Portela. Por mais que não tenha sentido a a mais pura energia vital, não posso negar a visão da família Maktoum e capacidades do Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum – o Primeiro-Ministro e Vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos. Concordâncias culturais, sonhos de betão e trabalhadores do mundo inteiro bem ou mal pagos à parte, a mais alta torre do mundo, onde habita o hotel Armani Dubai foi inspiradas numa flor do deserto, a Hymenocallis que transpira tanta elegância como o primeiro hotel do designer italiano. Inovação em hospitalidade, design, estética e estilo são os ingredientes do hotel mais desejado do Dubai, o primeiro de uma rede que se irá estender já em 2011 a Milão, Marrocos e Egipto. E dizia-me um viajante português que se rendeu ao mundo árabe, na tarefa de construir aeroportos, que no Dubai tomamos a consciência de que o mundo é pequeno. A menção homenageia as muitas nacionalidades que habitam a cidade e que testemunho enquanto percorro o hotel, as quais não enuncio para poupar as linhas deste texto. 701 viajantes do mundo, com vestes esvoaçantes negras, cor de bronze ou marfim, servem 160 quartos e suites, fazendo da hospitalidade do hotel um cartão de visita de luxo. Além de uma hospitalidade fora de série onde a recepção é substituída por um ‘lifestyle manager’ pessoal, testemunhei um hotel com tecnologia de ponta em tons suaves e elegantes, o qual tenho a certeza será uma referência da história hotelaria dos próximos anos.


Armani Hotel Dubai
Tel. +971 4 303 4222
www.armanihotels.com
A partir de €375

Mediterrâneo
Como um elogio à palavra descrição, o primeiro hotel Armani é uma referência de convívio para os emiratis ou estrangeiros que vivem na terra dourada. Além do clube nocturno Armani Privé, o Armani Spa, o bar Armani Lounge com vista para a fonte do Dubai, a boutique de acessórios de alta-costura exclusivos Armani Galleria, a loja com selecção de doces e chocolates Armani Dolci e uma boutique com arranjos de flores frescas a Armani Fiori, há ainda uma família de restaurantes para todos os gostos. O restaurante indiano Amal, o japonês Hashi e o Peck complementam as duas grandes estrelas do hotel, o Mediterrâneo e o Armani Ristorante. O Mediterrâneo tem o privilégio de ter como chefe e subchefe os portugueses Pedro Baroso e Jorge Costa, ambos vindos do Hotel da Penha Longa, restaurante também responsável pelo pequeno-almoço mais bonito que alguma vez vi. Linhas direitas, minimalismo, frascos transparentes de vidro rectilíneos, muitos produtos orgânicos, pastelaria e padaria caseira e de extraordinária qualidade juntam-se à bebida de boas vindas, um sumo de manga, laranja e gengibre e os pedidos à carta, como as panquecas ou os melhores e mais bonitos ovos ‘Benedict’ que alguma vez provei.

O restaurante de assinatura, o Armani Ristorante é uma experiência que vale as horas de avião para chegar à cidade que abraça as águas arábicas. O chefe Alessandro Salvatico e o chefe de sala Lorenzo transpiram charme italiano, no meio de uma equipa de empregados que mais parece saído de uma passagem de modelos. Com grandes janelas e mesas circulares fui surpreendida por um menu degustação, o ponto alto da minha experiência Armani. Ravioli de carne assada e molho de trufas, ‘Burratina’ de queijo com legumes e manjericão, Risoto de açafrão com osso buco, Robalo com ‘caponata’ tradicional sicilana e azeite balsâmico. Para meu espanto – e confesso que seria difícil surpreenderem-me já que a qualidade da prova tinha já alcançado o céu – uma sobremesa que se apresentava quase como uma pérola gigante, conseguida por uma massa de açúcar soprada com a mesma técnica do sopro do vidro. Divinamente recheada e baptizada de ‘Baverese recheada de creme de baunilha, violetas e sorvete de cassis’, justifica a arrojada folha de ouro como cereja no fim do bolo.


Armani Ristorante
Tel. +971 4 303 4222
www.armanihotels.com
Pequenos-almoços partir de €30
Almoços e Jantares a partir €40

O Dubai em formas árabes
O hotel The Palace Old Town vale as cinco estrelas que o categorizam. Além de ser um dos mais charmosos hotéis do Dubai, é uma celebração perfeita do estilo árabe nos Emirados Árabes Unidos. O carisma do Spa e o sucesso do restaurante Asado que faz as delícias dos locais tem um pequeno-almoço transversal que eleva as culturas que constroem esta cidade. Além do pequeno-almoço continental, com direito a muesli orgânico sem glúten (nunca tinha visto em nenhum hotel do mundo) as especialidades árabes desdobram-se na descoberta dos sabores do Queijo Sambousek, a Sopa de lentilhas castanhas, o Cordeiro Kibleeh, variados doces árabes ou o delicioso pudim de pão A experiência é elevada quando ousamos experimentar a Masala ou a Paratha indiana, um género de panqueca de massa de arroz recheada com os condimentos escolhidos no momento. O Bolo de tâmara faz e o mel retirado directamente da colmeia fazem acontecer uma das moradas mais movimentadas do centro da cidade.
The Palace Old Town
Emaar Boulevard, The Old Town Island, Downtown, Dubai
Tel. +971 4 4287888
www.theaddress.com
O japonês do mundo
Conhecido como um dos melhores e mais bonitos japoneses do mundo, o Zuma nasceu em Londres pela ideia do alemão Rainer Becker e hoje marca também presença na cidade de Hong Kong, Istambul, Miami e Dubai. Volto a confirmar a irreverência do japonês que alia à tradição e sem medo muitos sabores ousados. As especialidades passam pela entrada ‘Ika no kari kari age’, um prato de crocantes lulas fritas com pimenta e lima, Sushi e Sashimi variados, com leves toques de cozinha do mundo, os famosos pratos de assinatura, para finalizar sempre com a selecção de doces Zuma, uma taça de madeira coberta de gelo e com pequenas sobremesas que atravessam os sabores do bolo de chocolate derretido, o doce de banana ou o sorvete de framboesa. Com a informação de que o Zuma querer estender-se à Europa, não me despedi sem deixar a provocação de que seria bem-vindo ao espaço do antigo Vírgula, um dos mais privilegiados espaços da restauração, à beira do nosso Tejo.


Zuma
Gate Village, 6 Dubai
Tel. +971 4 425 5660
www.zumarestaurante.com
A partir de €50

crónica publicada na edição de Julho/Agosto de 2011 na GQ