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O Alfaiate Lisboeta já nos habituou a iluminar os dias, mas hoje partilho o testemunho de um homem que escolhe, com rasgos de ousadia, as linhas com que se cose.

Conheci o José Cabral ao pé do mar, numa das mais bonitas cidades do mundo. Lembro-me como se fosse hoje. Era uma noite de verão, fresca, que me deixava usar um casaco amigo da brisa atlântica. Sempre fui curiosa por pessoas e acho que sempre que recusamos falar com o desconhecido, perdemos uma oportunidade de nos tornarmos mais sábios.

Ganhei este delicioso hábito nos meus dias vividos em Amesterdão, já que, no Portugal de há dez anos atrás, não me entregava tão livremente a esse gozo. Talvez por isso, conversar com alguém que viaja na cadeira do lado do metro, ou dizer bom dia num elevador, à espera de resposta, seja um dos muitos momentos deliciosos do dia, aqueles que ajudam a constatar a felicidade de um país. As minhas tentativas conseguem a conquista de sorrisos, muitas vezes escondidos. Acaba por ser uma troca entre pessoas que ousam aproveitar este desafio de viver o mundo.

Nesse elogio do encontro, sorrio sempre que vejo o Alfaiate Lisboeta trabalhar. José Cabral tem em comum com a minha personalidade o acreditar muito nas nossas cidades. E se ele recolhe, dos passeios, histórias tão parecidas com ou tão diferentes das nossas, enchendo os dias da certeza que não caminhamos sozinhos, da sua existência eu recolho a inspiração para motivar o país, hoje mais triste.

José Cabral começou o seu blogue quase por acaso. Num dia em que se questionou porque não nascia uma história que chega aos nossos dias, uma morada onde já ultrapassam mais de seiscentos encontros com o desconhecido. Com enorme talento para comunicar, questiono-me como a entidade bancária para onde trabalhava até há uns meses atrás o deixou escapar assim. E numa altura em que o Portugal mais pequeno se algema ao ‘garantido’ com unhas e dentes, José Cabral é inspirador exatamente por contrariar aquilo que além da educação e da má gestão afundou o nosso país: a inércia e a falta de confiança.

O nosso Alfaiate das ruas vive tal como aborda uma pessoa luminosa nas esquinas da cidade. Sem medo e com a ousadia de viver o tempo presente, tenho a certeza que a vida lhe compensará as concessões e a atitude de risco colocadas com coragem em cima da mesa. A minha experiência diz-me que o dinheiro é uma energia que está cá para nos servir. Jamais poderá ser o objectivo de um despertador que nos acorda de manhã. E quando nos lançamos ao mar em busca do que acreditarmos ser a nossa fórmula de felicidade diária (é com o trabalho que passamos a maior parte da nossa vida), com confiança e fiéis à nossa verdade, tudo correrá bem. Hoje sei que a recompensa da ousadia vem sempre e em abundância.

Esta é a história do José Cabral, uma história verdadeira, como a que um dia me moveu a partilhar com paixão esta cidade. Uma cidade que será sempre feita de pessoas. Pessoas de coração em punho que, ao lutar pelo que acreditam, recolhem a luz de não ter tido um dia medo de acreditar. Foram estas as pessoas que convidei para um jantar de Dia de Reis, no qual fui anfitriã a convite do Xperia Ray, da Sony Ericsson.

Os testemunhos de Manuel Alves, de João Branco e Luís Sanchez dos Storytailors, de Lidja Kolovrat, de Ayres Bespoke Tailor e de Namalimba Coelho foram também fotografados pela objectiva clarividente do nosso Alfaiate Lisboeta. E será a partir de amanhã que, também pelas palavras, nos confirmarão que, para fazer acontecer, há que acreditar. Sempre.

crónica publicada a 9 de Janeiro de 2012 na Vogue
© fotografias de José Cabral, O Alfaiate Lisboeta

 

Sony Ericsson
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