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Mesmo em frente à grande porta do estrondoso Palácio Belmonte respira agora o mais bem escondido café de Lisboa.
O Palácio classificado como Monumento Nacional dispensa apresentações. Uma das moradas onde mais me emociono pelo fascinante projeto de recuperação de património. Que se abram os céus para agradecer o amor e excelência com que Frederic e Maria Coustols recuperaram a excelência do hotel onde me sinto imensamente lisboeta.

Chego à hora de abertura e enquanto nas salas do palácio a mais exuberante Lisboa acontece, Nuno abre os panos do Clube Café. Amante das artes cénicas e com grande energia prepara a chegada dos turistas, que já exploram a zona do Castelo no segundo dia de verão do ano. Dois viajantes do Rio de Janeiro pedem uma água e comentam que o espaço é bonito. Eu concordo.

Com alguns livros espalhados nas mesas e registo de arte pendurada nas paredes cor de chumbo, o ambiente é abraçado pelo piano no meio da sala e pela instalação que lança páginas soltas no teto. A linda coleção de pratos oferecida pela aveirense Costa Nova completa o serviço de linhas toscas que em tons suaves de Atlântico acompanha a patine de filme desta morada.

Descubro que, tal como eu, Nuno já viveu na Grécia e como dois miúdos que sabem onde se esconde um tesouro do mundo, partilhamos lembranças e experiências de terras de Helena, onde tanto aprendi sobre o que a felicidade. Nas suas mãos o seu (tirar) caderno preto e amarelo do Emílio Braga abre-se com desenhos das ruas de Atenas e a memória regista a cumplicidade dos tempos.

O piano toca todos os dias, e a seleção de música é sempre extraordinária. Porque as memórias permitem uma obra de música de Eleni Karaindrou Lisboa partilha histórias do mundo. Na exploração que Nuno dá ao café não há direito a Tsatsiki (entrada grega que recordámos com saudade), mas há pratos de queijos, de carnes frias a acompanhar cestos de pão, saladas e tostas. Pequenos-almoços especiais, cereais e iogurte acompanham os croissants, assim como aperitivos vários como as azeitonas abrem portas à lista de vinhos, gin’s e outras bebidas ideiais para um fim de tarde de verão.

Ainda a sentir o movimento da cidade o café partilha-se como um lugar tranquilo. Excelente para pensar ou ler um livro, ou simplesmente estar e disfrutar da beleza cénica do espaço, o café que toma conta de um dos mais bonitos palácios de Lisboa convida a voar os melhores pensamentos, abraçados à palavra que Nuno repete vezes sem conta. A liberdade.

crónica publicada a 10 de Maio de 2012 na Vogue

Club Café
Entrada do Palácio Belmonte
Pateo Dom Fradique, Lisboa
Tel. 936 155 742
www.palaciobelmonte.com e facebook aqui
Qua a Dom 12h às 18h30
a partir de junho novo horário de verão