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O país acorda mais triste, mas não será por isso que não haverá razões para brindar. Contra o bi-campeão da Europa e do Mundo, Portugal revelou-se feroz e sólido.

Bem sei que as estrelas não se arrumaram a nosso favor, mas pior do que perder a ter dado tudo o que tinham teria sido termos perdido com a consciência pesada. Não há razão para dramas. Mesmo sem golos Portugal pode dormir descansado porque fez tudo o que estava a seu alcance para estar presente na final.

Passa-me muitas vezes pela cabeça que o ‘se’ e o ‘mas’ e o ‘quase’ só nos vão largar, nesta euforia dos campeonatos de verão que nos invade nos campeonatos de futebol, quando a alegria extasiante for consistente. Quando acreditarmos ao nível das entranhas, que vale a pena acreditar e gritar pela nação todos os dias sem apontar o dedo que com a energia negativa do queixume adia a energia de um povo que tem tudo para se destacar, seja no futebol mundial, seja enquanto povo aos olhos do mundo.

O ano de 2012 é sábio. Para mim, que o vê como uma oportunidade de ouro para decidirmos de que lado queremos estar – do lado do copo meio cheio ou do lado do copo meio vazio – haverá sempre pela senda do entusiamo razão para brindar. Nessa alegria de quem acorda a fazer o que gosta vou brindando pelas ruas da cidade e na nova ala nascente do Terreiro do Paço descubro uma ginjinha que merece paragem. Fã da ginja de Alcobaça, pelo sabor e pela imagem estática daquela que é para mim – e sem qualquer dúvida a melhor ginja de Portugal – rendo-me por momentos à nova Ginja do Chiado. ‘Com orgulho desde 2011, a Ginja que nasceu na Rua do Carmo oferece agora aos passeantes da Praça do Comércio um quiosque para trocar dois dedos de conversa e trincar uma queijada de Sintra.

Por trás do balção está o Jorge que diz gostar de conversar com os estrangeiros que curiosos procuram provar Portugal. Simpático e agarrado à simplicidade do sorriso, o serviço muda rapidamente e em fluência para diferentes tipos de idioma. O negócio da Calçada do Carmo também tem refrescos para os mais novos. Groselha e Capilé da marca do Quiosque do Refresco descem até à Baixa, a um quiosque especializado na Ginja. Ainda com opção de Porto, Licor Beirão, Moscatel e Aguardentes, ainda há água para os dias mais quentes dos passeios entre as sete colinas.

Comum em Portugal desde o século XV para fins medicinais, foi por volta de 1755, que mergulhadas em aguardente, originaram o que hoje conhecemos por Ginginha. Esta versão da Calçada do Carmo também nasceu para ficar e vale a pena ser provada, num fim de tarde na nossa praça de excelência, onde o cenário merece estender o amor com um brinde a Portugal.

crónica publicada a 29 de junho de 2012 na Vogue

Quiosque Ginginha do Carmo
Praça do Comércio, Ala Nascente, Lisboa
Tel. 916 652 660
www.ginginhadocarmo.blogspot.pt
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