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Portuguesa de nacionalidade, alfacinha de gema, defensora de Portugal por princípio. Sancha Trindade dá a conhecer o melhor do país dentro e fora de portas

artigo publicado por Patrícia Cintra a 13 de julho 2012, no jornal Sol 

«Não acredito na sorte, acredito na perseverança e na energia que atrai coisas boas», chuta para princípio de conversa. Jornalista, empreendedora e criativa, Sancha Trindade começou por se especializar em peritagem em
arte por influência familiar. Uma avó dedicada às antiguidades e umpai alfarrabista marcaram- lhe o ADN mas Sancha não se deixou limitar pela carga genética: «Rapidamente percebi que não podia ficar nos bastidores da criatividade dos outros. Precisava de voar e a partir daí desenvolvi o projecto criar-te, a partir de uma frase de Alexandre O’Neill».«Criar-te a ti português saudosista que vives da miséria de uma miséria de uma noite gerada por um dia igual» foi o mote para a primeira aventura de defesa do património nacional.Em2009 começou pela língua, ao conceber uma linha de t-shirts com citações de autores portugueses, mas rapidamente extrapolaria o seu universo de actuação. Com o jornalismo e um blogue (www.lisboanapontadosdedos.blogspot.pt), onde publicava artigos sobre Lisboa, as suas histórias e as pessoas que nela habitam, ganhou a alcunha de «farol da cidade» e com esse título mais portas se abriram.

Passou pela Vanity Fair, pela CondéNast Traveller, pela Vogue e pela GQ Brasil sempre com a vontade de divulgar o país e mostrar como era aquele rectangulozinho ali encravado entre Espanha e o Atlântico. «Como é que eu consegui estes contactos…? Pego no telefone e digo: ‘Olá! Sou a Sancha Trindade’. Eles gostam, faço propostas, eles aceitam e é assim. Também é importante saber conquistar. Por exemplo, no caso da Vanity Fair, que é uma marca poderosíssima, liguei para lá e disse: ‘Entrevistei o Scott Schuman’ [criador do importante blogue de moda The Sartorialist]. Se calhar o sucesso também vem de nos pormos a jeito com o isco certo. Hoje entro com o Scott Schuman, amanhã entro com o Filipe Faísca. O meu segredo é a pro-actividade, nunca desistir e acreditar muito no que estamos a fazer». E Sancha acredita. Em Junho voltou a lançar-se (relançar-se?) no ciberespaço com a plataforma

A Cidade Na Ponta dos Dedos (http://sancha.vhagar.afonsowilsson.net). «A ideia desta ‘plataforma’ nasceu a partir da imagem de um porto de embarque porque eu sou fascinada por metros e comboios e viagens. Depois a ideia da ‘cidade na ponta dos dedos’ surge a partir de uma história de amor que eu imaginei entre o Porto e Lisboa duas cidades complementares. Lisboa é feminina, é sexy, é elegante e o Porto é a cidade empreendedora, do granito, em contraste com o calcário de Lisboa, mais delicado, mais branco».

Além da partilha das suas crónicas, das histórias por trás de cada lugar que conhece e das pessoas que encontra pelo caminho, Sancha lançou-se também num projecto social para combater a solidão com que a população idosa se confronta. Tudo começou quando marcou presença no Orçamento Participativo na Câmara Municipal de Lisboa e ficou a saber que há 85 mil idosos a viver isolados nas suas casas. «Acho mesmo que a solidão é a grande doença do século XXI», afirma.

Por isso, abraçou a missão de pegarem casos reais e dá-los a conhecer através de pequenos documentários televisivos.
«Fiquei a saber de uma pessoa que como não tem intercomunicador para saber quem toca à porta, não abre, ou de outra que não tem corrimão e por isso não vai à rua porque tem medo de cair nas escadas», revela. «Sei que não vou salvar o mundo, mas é um trabalho que quero fazer. Um dia seremos nós que vamos estar naquela situação».