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A gelataria Amorino abre em Lisboa com uma inovação que promete romarias ao 209 da Rua Augusta. Já sabem que por norma sou alérgica aos franchisings mas esta nova morada da Baixa Pombalina oferece gelados biológicos sem aromas artificiais e corantes, confecionados com ovos do campo biológicos, leite fresco e frutas escolhidas a dedo.

Para quem é fanática do Santini como eu foi um desafio atrever-me a experimentar, mas a consciência biológica atraiu-me além da inovação da estética criativa que é posta em cada gelado. Por incrível que pareça as porções de gelado são delicadamente postas às camadas fazendo pétalas, originando um gelado em forma de flor.

Segundo Damien Dubourdieu, o francês – que se apaixonou por Lisboa e decidiu ir viver para um dos meus bairros de eleição, a Sé – cada receita vai um pouco mais longe em busca de sabores, perfurando as origens secretas de cada ingrediente, verificando no local os métodos de produção, o qual origina uma qualidade acima da média consegue alcançar sabores extraordinários.

A minha escolha originou um cone flor de morango, nata e manga e não vou mentir que quia comparar com os sabores que escolho na gelataria do meu coração na Rua do Carmo. Fiquei surpreendida pela positiva e concorrência nunca me assustou já que não sou nada adepta de monopólios. Não que o Santini jamais se encostasse, antes pelo contrário, pois como o vinho do Porto quando mais velho, melhor.

O conceito natural e criativo da Amorino tem já dez anos, fruto do empreendedorismo de dois amigos de infância, criado em Cristiano Sereni e Paolo Benassi. Com o lema ‘o nosso objectivo é fazer gelados excelentes os mais naturalmente possível’, nascia assim a Amorino no coração de Paris, na Ile Saint Louis, onde só me lembro de correr para a Berthillon.

Mas na Amorino, a paixão dos criadores revela-se através dos seus valores fundamentais como ‘a qualidade, a consistência, o sabor e uma decoração específica. E é nesta ultima que acho que comprovo a maior falha. Os empregados têm uma formação excelente, na simpatia e na mestria de com longas filas de espera fazerem flores em camadas de mestria. As fardas são bonitas e as normas de higiene são bem seguidas. Mas a decoração apesar de todos os pontos altos que me fazem dar uma nota alta à qualidade dos gelados, roupa luz ao projeto. Não gosto da mistura do capitonê negro com a imitação de tijolo, polvilhados de anjos barrocos por todo o lado. A vitrine está bem conseguida mas os sabores que se podem escolher pelas fotografias das frutas também não adoro.

mas nem tudo são gelados, para os dias quentes há os Caffés Goloso, um café expresso e espuma de leite sobre  uma delicada camada de  Nocciola, Cioccolato ou Caramelo, à escolha. Biscoitos, azeites e açucares que parecem dignos dos cenários do filme Maria Antonieta de Sophia Coppola apresentam-se como pedras preciosas. No açucar gosto sempre do amarelo ou do mascavado, mas nesta versão fetishe será com certeza uma das moradas obrigatórias para o encontrar.

Porque o Verão não foi embora e há quem goste de viver as cidades sem qualquer remorso do regresso, a Amorino fará as delícias de quem gosta de um bom gelado. E não é todos os dias que o poderemos comer em forma de flor, assim como quem prova o inesperado.

crónica Saída de Emergência publicada a 16 de Agosto na Vogue

Amorino
Rua Augusta 209, Lisboa
Tel. 211 931 983
www.amorino.com/pt
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