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Há sempre qualquer coisa de maior quando se trata dos Açores. E é numa aldeia das Flores que confirmo a beleza de mais um pedaço de terra português, a Aldeia da Cuada.

Abandonada nos anos sessenta, quando os seus habitantes emigraram para a América, a Aldeia foi recuperada por Carlos Silva, que sabiamente soube sonhar mais alto. Contra tudo e contra todos, e na dúvida do projeto poder resistir aos longos anos de vida, hoje é considerada um exemplo de turismo de excelência, como um enorme testemunho de perseverança a seguir.

A viagem entre o passado e o presente, com enorme responsabilidade na recuperação da traça rural das pequenas casas de pedra, forma a aldeia privilegiada que é a Cuada. À sombra da tranquilidade, o tempo parece não ter relevância. E só os Açores me devolvem este poder de sentir que a vida não foge depressa.

A paisagem é magnânima e confirma-me a opinião que nenhum português deveria viajar pelo mundo sem antes passar pelos Açores. Mas é nas pessoas, na simplicidade dos sorrisos e na gratidão de haver tanta terra, ainda não tocada pela mão do homem, que o meu sorriso é roubado. Assim começou esta aventura, em que Sílvio, o genro de Carlos, me disse para procurar um carro azul prata no parque do aeroporto. Com a chave na ignição e sem qualquer risco de ser roubado, desbravava até a aldeia imagens que apenas se consagram em poemas.

São paisagens únicas as que envolvem a Aldeia da Cuada. As casas de pedra respiram simplicidade e distanciam-me dos dias agitados da cidade. Jarras de hortências perfumam a casa e a colcha tricotada, pelas mãos da terra, transportam-me a memórias antigas onde as conversas à lareira com a minha Avó faziam com que as horas não tivessem importância. A velocidade dos dias dilui-se nas quatro estações, que tão bem acompanham os Açores, e o ritmo passa a ser outro, o que nos permite absorver cada aroma e cada detalhe com toda a imensidão do tempo.

Os caminhos percorridos são feitos nas pedras irregulares e, ligando-nos à terra de uma forma exemplar, leva-nos a postais da ilha onde não é preciso o uso de photoshop. Como uma das mais idílicas dos Açores, no Poço da Alagoinha encontro a imagem mais bonita da ilha.

Entre as muitas Caldeiras, a água presente no horizonte leva-me uma tarde à ilha do Corvo. E nem os três metros e meio de ondulação me retiraram a beleza do caminho. O Corvo respira simplicidade, e a invulgaridade dos olhares da terra segue-me o rasto. Assim conheci o Carlos, o guia feliz, de palavras firmes e que me ofereceu o postal ventoso da cratera, uma das mais bonitas que vi em terras açorianas.

Na intocabilidade do mundo, a simplicidade é imensa. Tão imensa que, à procura de um restaurante (e cuidado porque apenas servem até Às 14h, sem exceção), dou por mim a almoçar em casa de uma verdadeira senhora da terra. Nos olhos e na barriga do desespero, as portas abrem-se nestas ilhas ao convite mais elevado de todos: a partilha de uma vida que só faz sentido em gratidão e humanidade. Assim como quem agradece o bom coração de um desconhecido.

crónica Saída de Emergência publicada a 14 de Setembro na Vogue online

Aldeia da Cuada
www.aldeiadacuada.com
Facebook aqui

Aconselhe-se com as dicas do Carlos e do Silvio e faça todas as estradas de carro.
A ilha é pequena e cruzará com todos os postais idílicos da ilha.
Locais que não pode perder
Poço da Alagoinha
Caldeira Funda
Caldeira Rasa
Cardeira Branca
Caldeira Seca Caldeira Comprida
Rocha dos Bordões

Restaurantes

Ficam os meus preferidos:

Pôr do Sol
Fajanzinha
Tel. 292 552 075

Casa da Vigia
Fajã Grande
Tel. 292 552 217

Casa do Rei
Rua Peixoto Pimentel, 33 Lajes das Flores
Tel. 292 593 262

Barco para o Corvo
Florescetaceos
Tel. 917918964
Viagem de ida e volta €35

Guia Corvo
Carlos Reis
Tel. 918 231 492

Aventura West Canyon
Fazenda de Santa Cruz, Santa Cruz
Tel. 96 826 6206
www.westcanyon.net

Sancha Trindade voou para as Flores com a Sata