5 Campanha Semana da Mobilidade CML A Cidade na ponta dos dedos 2013_Maria.Pin it

Marquei encontro com a Maria em Benfica, uma zona da cidade que conheço pouco. O Colombo que abomino lá atrás foi inundado pela frescura da Maria e a foto resultou numa explosão de cor e alegria. A poucos dias de se casar a Maria deixou-nos o seu testemunho. É caso para dizer, tão nova e já tão esclarecida!

Pedalas na cidade há quantos anos?
Há cerca de 2 anos.

Porque o decidiste fazer?
Porque percebi que o trânsito cansa-me e o vento na cara não. Mas sobretudo porque percebi que chegava ao trabalho com muito mais energia, mais bem disposta e mais inspirada para ter boas ideias, com mais histórias para contar e sem poluir a cidade.

O que te faz mais feliz quando pedalas pela cidade?
Tudo o que acontece que nunca aconteceria dentro de um carro. Os sorrisos aos outros ciclistas. As conversas nos semáforos. As descobertas novas. De repente descobrimos mais frutarias, mais cafés, mais lojas.

Qual o maior desafio?
Fazer uma noitada na agência e perceber que vamos enfrentar a estrada às 2 da manhã e se calhar com chuva, antes de chegar a casa. Já aconteceu várias vezes, mas a verdade é que quando chego a casa sei que não há nada melhor do que pedalar à noite, sozinha.

Já tiveste algum susto?
Já. dois. Algumas pessoas que conduzem carros têm um prazer mórbido em nos assustar, talvez por acharem que devíamos ir no passeio, um desses uma vez chegou-se tão perto de mim que quase me atropelou e eu de o ver quase a tocar-me, assustei-me e desiquilibrei-me. Por muito pouco não fui ao chão, mas lá me safei. O segundo susto foi quando caí mesmo. Ía distraída e bati de lado num passeio. Nenhum dos sustos resultou em ferimentos. Foram só isso mesmo, sustos.

Qual a historia que mais te marcou a bordo da tua bicicleta pelas ruas da cidade?
Uma vez ia a acelerar numa ciclovia e uma peça da bicicleta saltou e ficou presa entre no travão de trás e o pneu, o que me obrigou a uma paragem brusca e por pouco não caí. Mas o pior é que a bicicleta não podia andar e tive de pegar nela e leva-la ao ombro. Achei eu que ia até casa assim, mas não. Em menos de 30 segundos já tinha três ciclistas à minha volta – um deles tinha ouvido o barulho e voltou atrás para ajudar, os outros iam a passar e não hesitaram em parar- todos a tentarem arranjar uma solução e em menos de meia hora a minha bicicleta estava praticamente nova. Deu para ir a pedalar até à oficina mais próxima e tudo. Conclusão, a união, a entreajuda e a amizade que se cria entre as pessoas que pedalam é única e não tem comparação a nada.

Gostarias de pedir alguma coisa específica à entidades urbanísticas, para melhorar as tuas viagens pela cidade?
Para já, mais ciclovias e nas ciclovias já existentes mais rampas ou passeios rebaixados. Há passeios demasiado altos para subir sem empenar as nossas tão preciosas rodas.

Porque aconselharias os outros lisboetas a pedalar pela cidade?
Primeiro porque só o gesto de pedalar já é só por si um elogio a Lisboa. Depois porque a nossa cidade ia ganhar muito com isso. Menos poluição, menos barulho, mais boa disposição e no fim ainda conseguimos estar todos em forma e com mais saúde.

 

Para ver toda a campanha é  aqui.