7 Campanha Semana da Mobilidade CML A Cidade na ponta dos dedos 2013_Ana ClaraPin it

O céu ameaçava uma inundação, mas até ao ultimo minuto a luz da Ana Clara não deixou que nada de menos bom acontecesse à sessão do nosso encontro. De sorriso suave e terno, como quem abraça sempre o lado mais puro do mundo, a deliciosa timidez da Ana Clara, transpirava genuinidade. Talvez por isso a tenha deixado para fechar com chave de ouro, estes diferentes e extraordinários testemunhos de quem se transporta a pedalar pela cidade .

A simplicidade e os traços muito bonitos desta Mãe de gémeos que todos os dias pelada do Parque das Nações ao alto do Restelo deixaram-me rendida a um sentimento mais elevado do que esta terra de humanos. A Ana Clara apresenta-se como uma alma antiga, daquelas que quando a idade se encosta nos ombros, a tornará uma mulher ainda mais interessante do que já é nos dias de hoje. E como quem tropeça na sapiência mais poderosa da vida, uma grande mulher  pedala à chuva com o sorriso de criança e um coração de menina. Assim é a luz da Ana Clara.

Pedalas na cidade há quantos anos?
Pouco mais de 1 ano.

Porque o decidiste  fazer?
Primeiro, por razões económicas. Depois de começar, porque tornou-se um prazer imenso, porque é saudável para mim e para o planeta, porque é muito prático e permite usufruir da cidade de uma forma única.

O que te faz mais feliz quando pedalsa pela cidade?
A liberdade.

Qual o maior desafio?
Conduzir no meio dos carros.

Já tiveste algum susto?
Sim, já dei uma grande queda.

Porque aconselharias os outros lisboetas a pedalar pela cidade?
Porque passariam a conhecer bem melhor a sua cidade, porque perderiam muito menos tempo dentro do carro em filas de trânsito e porque é um meio de transporte muito económico.

Gostarias de pedir alguma coisa específica à entidades urbanísticas para melhorar as tuas viagens pela cidade?
A maioria das ciclovias de que usufruo no caminho para o trabalho são de péssima qualidade. Para mim, não são sequer ciclovias, são caminhos destinados às bicicletas (exemplo do Parque das Nações e da zona ribeirinha). É de louvar que se tenham construído tantas ciclovias nos últimos anos mas, se é para se fazer, então façam bem feito. Seria uma boa ideia se conversassem com as associações e com os próprios ciclistas para ouvirem as suas opiniões e conselhos.

Qual a historia que mais te marcou a bordo da sua bicicleta pelas ruas da cidade?
Fui conhecendo algumas pessoas sem abrigo na zona de Santa Apolónia. Uma vez, num dia de muita chuva, parei para falar com o meu amigo Zé. Ele estava completamente encharcado e chorava porque lhe tinham roubado o chapéu de chuva. Eu tirei o meu mini-chapéu de chuva às riscas rosa choque da carteira e ofereci-lho. Nos dias seguintes, sempre que por lá passava, lá estava o Zé com o chapéu mais feminino possível mas com um grande sorriso por me ver passar :-).

 

Para ver toda a campanha é  aqui.